terça-feira, 14 de março de 2017

Elza Soares: a cantora do milênio é pioneira do Carnaval

  
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Elza Soares é uma das figuras mais extravagantes, talentosas e de estilo único na música popular brasileira. Pioneira, em 1969, aceitou o desafio de puxar o samba de uma escola, quando mulheres não faziam isso. Com maestria, cantou Bahia de todos os deuses e ajudou o Salgueiro a conquistar o campeonato.

Logo depois, aproximou-se da Mocidade Independente de Padre Miguel, ao gravar, em compacto, o samba Rio Zé Pereira, que ajudou a defender na avenida.

Em Padre Miguel, Elza viveu a fase em que a escola começava a se modernizar, ao contratar o carnavalesco Arlindo Rodrigues, e fez dobradinha com o puxador Ney Vianna por quatro anos, ao cantar os sambas: Festa do Divino, O mundo fantástico do Uirapurú e Mãe Menininha do Gantois.

Resultado de imagem para elza soaresA cantora estourou nas paradas de sucesso com Salve a Mocidade em 1974. Afastou-se da escola em 1977 e, em 1979, teve uma experiência no carnaval de Niterói, ao cantar Afoxé, pela Acadêmicos do Cubango.

Em 1985, convidada pela União da Ilha do Governador a defender o samba Um enredo, um herói, uma canção, chegou a gravar o disco oficial, mas não apareceu no dia do desfile da escola.

Em 2000, ela voltou a defender um samba enredo, retornando a Acadêmicos do Cubango, onde cantou Por uma independência de fato. Assim, Elza finalmente estreou em um carro de som na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

A primeira vez
Antes de sua primeira apresentação ao vivo, aconteceu o seguinte diálogo entre Elza e Ary Barroso, que comandava um programa de auditório ao vivo na Rádio Tupi:

Vendo seu jeito humilde, Ary Barroso perguntou: "De que planeta você veio?"
Elza respondeu: "Vim do mesmo planeta que o senhor."
Ary: "E posso saber de que planeta eu sou?"
Elza: "Do Planeta Fome".

Depois, pegou o microfone, mostrou todo seu potencial.

Cantora do Milênio
Elza Soares viveu a fase áurea de sua carreira gravando discos memoráveis na Odeon, entre 1959 e 1974. Seu primeiro sucesso foi uma recriação do samba Se acaso você chegasse, de Lupicínio Rodrigues, na qual introduziu scat similar ao do jazzista Louis Armstrong.

Inúmeras de suas músicas foram para o topo das listas de sucesso no Brasil ao longo de sua carreira. Entre eles, Cadeira Vazia (1961), Só Danço Samba (1963), Mulata Assanhada (1965) e Aquarela Brasileira (1974).

Resultado de imagem para elza soaresNo auge da carreira, nos anos 60, gravou e fez muito sucesso com discos clássicos como O máximo em samba (1967), Elza Soares & Wilson das Neves (1968), Elza, Miltinho e samba, uma série de três álbuns com Miltinho, e, Sangue, suor e raça (1972), que dividiu com o então estreante Roberto Ribeiro.

Dona de uma voz rouca e rítmica, aliada aos seus scats, deu forma inteiramente nova aos dois estilos de samba que se conhecia quando ela surgiu: o samba de raiz e a bossa nova, criando um estilo novo que chegou a ser chamado de Bossa negra, título de seu segundo disco.

No fim da década de 1950, fez uma turnê de um ano pela Argentina, junto com Mercedes Batista. No Chile, representando o Brasil na Copa do Mundo da Fifa de 1962, seu estilo "levado" e exagerado fascinou o público.

Alguns de seus álbuns foram relançados em versões remasterizadas de CD: de 1961 – A Bossa Negra (contendo seu maior sucesso no ano, Boato) – e de 1972, com uma grandiosa banda, Elza Pede Passagem, um clássico e representante do som samba-soul do início dos anos 1970.

Descrita como “uma mistura explosiva de Tina Turner e Celia Cruz”, Elza Soares conquistou o título de “cantora do milênio” pela BBC de Londres, durante o projeto The Millennium Concerts, da rádio inglesa, criado para comemorar a chegada do ano 2000.

Ícone
Reconhecida como Rainha do Samba, Elza experimentou emoções fortes ao longo de seus quase 90 anos de vida. Da miséria à riqueza, do assédio ao descaso da mídia, da paixão ao abandono. Ganhou fama, sucesso e dinheiro, elogios, títulos. Vida e morte.

Elza da Conceição Soares nasceu na favela da Moça Bonita, em Padre Miguel (hoje, Vila Vintém), no Rio de Janeiro, em 23 de junho de 1930. Filha do operário e violonista Gomes Soares e da lavadeira Rosária Maria Gomes, ainda pequena mudou-se para o bairro da Água Santa, onde foi criada, soltando pipa, rodando pião, levando latas d'água na cabeça, brincando e brigando com os meninos na rua.

Aos doze anos, por ordem de seu pai, casou-se com Lourdes Antônio Soares, conhecido como Alaúrdes. Teve seu primeiro filho, João Carlos, aos 13. Ficou viúva aos 21, com cinco filhos para criar, quatro meninos e uma menina. Se tornou sensação internacional aos 30.

Resultado de imagem para elza soaresAos 32 anos conheceu o craque de futebol Mané Garrincha, que já era casado. E sofreu preconceito por esse relacionamento. Foi ameaçada de morte, teve a casa alvejada por ovos e tomates. A sociedade a xingava de “vadia”, os amigos do marido de “bruxa”, por ela proibi-lo de beber – Garrincha era alcoolista. Eles ficaram juntos por 16 anos, de 1968 a 1982, e tiveram um filho, Manoel Francisco dos Santos Filho, apelidado de Garrinchinha.

Elza Soares pariu seis filhos e viu três morrerem, inclusive Garrinchinha, aos 9 anos, em acidente de carro, em 1986. Do mesmo modo, em 1969, Elza viu partir sua mãe. Garrincha havia bebido e estava ao volante.

Elza Soares, mais que um ícone como artista, é um ícone como pessoa, exemplo de superação.

Diva
Nos anos 1980, ficou sem emprego. Ensaiou uma volta quando Caetano Veloso a convidou para gravar Língua, em seu LP Velô, em 1984. Depois, em 1985, o roqueiro Lobão e o mesmo Caetano patrocinaram um disco coroando sua volta.

A carreira de Elza foi retomada ao ser convidada para participar do CD Casa de samba (1996), quando voltou a aparecer mais constantemente na mídia. Gravou novo álbum solo após nove anos, Trajetória (1997), ganhando com ele o Prêmio Sharp de Melhor Cantora de Samba, e depois o independente Carioca da Gema, ao vivo (1999).

Em 2004, Elza lançou o álbum Vivo Feliz, um mix e samba e bossa com música eletrônica. Em 2007, o álbum Beba-me, com músicas que marcaram sua carreira.  Em 2008, ano em que completou 50 anos de carreira, teve sua vida e obra pesquisada pela cineasta e jornalista Elizabete Martins Campos para o longa-metragem My Name is Now, Elza Soares, lançado em 2014.

Em 2014, estreou o show A Voz e a Máquina, baseado em música eletrônica acompanhada no palco apenas pelos DJs Ricardo Muralha, Bruno Queiroz e Guilherme Marques. Nesse mesmo ano, fez uma série de espetáculos intitulada Elza Canta e Chora Lupicínio Rodrigues, em comemoração ao centenário do cantor e compositor gaúcho.

Resultado de imagem para elza soaresAos 78 anos, ela surpreendeu fãs e não fãs, já acostumados a ouvir sua voz entre os batuques do samba de raiz e da bossa tradicional, ao lançar o álbum de samba eletrônico A Mulher do Fim do Mundo, com músicas inéditas e contemporâneas.

A mulher do Fim do Mundo foi aclamado pela crítica como um dos melhores discos dos últimos anos da MPB e rendeu a Elza o prêmio de Melhor Álbum na categoria Pop/rock/reggae/hip-hop/funk, bem como a indicação de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira e o prêmio de Melhor Música em Língua Portuguesa no 17º Latin Grammy Awards.

Interpretou o Hino Nacional Brasileiro a capella na Cerimônia de Abertura dos Jogos Panemericanos Rio 2007 e em 2016 se apresentou na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, com O Canto de Ossanha, clássico de Baden Powell e Vinicius de Moraes.
A música de Elza Soares inspira três gerações. Ela é um clássico.

Fontes:
Wikipedia


Helena Reis, 1ª Negra no Comando da PM de SP

Resultado de imagem para helena reis coronelA coronel Helena dos Santos Reis, de 46 anos, é a primeira negra a chefiar a Secretaria da Casa Militar do Governo do Estado de São Paulo em exatos 97 anos de existência da pasta, criada em 1920. Neste tempo, a história registra: 51 homens x 2 mulheres nomeados. Desde janeiro de 2017, Helena Reis é a responsável pela equipe de segurança do governador Geraldo Alckmin e do Palácio dos Bandeirantes, além de coordenadora da Defesa Civil do estado.

Natural de São José do Rio Preto, interior do estado de São Paulo, a cula de seis filhos de um casal baiano, na verdade, é pioneira desde o dia que se decidiu a seguir a carreira militar, confirmando o DNA da família.

A segunda mulher a comandar – a primeira foi a coronel Fátima Dutra em 2006 – a Casa Militar e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil – é filha e irmã de militar.

Ela era a única negra das 15 mulheres de sua turma na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, na década de 1980. Fez parte do primeiro grupo feminino a ingressar no curso de cadetes.

Até 1988, as mulheres entravam na Polícia Militar como sargentos. Depois, era necessário prestar um concurso, fazer um curso de um ano para se tornarem oficiais, explica ela. “Nós somos as pioneiras no Barro Branco. Éramos um grupo de 15 meninas e minha turma tinha 180 homens. ”

Embora reconheça o lento ingresso de mulheres nas polícias do estado, Helena acredita que, no futuro, não haverá força de segurança sem a presença feminina – inclusive na Rota, a tropa de elite da polícia paulista que não tem mulheres no policiamento ostensivo ainda.

Apesar de estarmos em 2017 ainda causa surpresa a indicação de uma mulher negra para algumas funções na nossa sociedade. Mas eu fico feliz de poder representar as mulheres, servir de inspiração, exemplo”, declarou Helena Reis ao tomar posse.

Carreira
Helena ingressou na Academia do Barro Branco em 1989. Após os quatro anos iniciais de formação, atuou até 1994 na região central da capital paulista. Em 1995, foi transferida para Catanduva e, depois, para São José do Rio Preto até ser promovida a tenente-coronel e retornar à capital paulista para trabalhar no Estado Maior da Policia Militar - área que compreende o Comando Geral da PM. Em 2014, foi chefe da 3ª Seção do Estado Maior.

Promovida a coronel em março de 2015, tornou-se responsável pelo curso de formação de Sargentos e, em maio do mesmo ano, comandante do Policiamento do Interior 5.
Entre o bem e o mal
Nestes 28 anos de profissão, a coronel vive os dois lados da violência. Teve que encarar a perda do irmão policial militar, morto durante uma tentativa de assalto na região de Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, mas avalia as denúncias de violência policial como casos isolados e não como perfil da corporação.

“A gente tem 94 mil homens na polícia paulista. As ações onde um policial se excede no limite da autoridade ou no uso da força representam menos de 1%. Quando criticam a atuação da polícia militar, apegam-se a esse 1%. ”

Helena acredita que a Polícia Militar é "vital" para a sociedade.  “A Policia Militar é a instituição maior garantidora dos direitos humanos do nosso país. O número de atendimentos sociais que a Policia Militar realiza é superior aos atendimentos criminais. Hoje a gente é de padre a médico, onde não há outras estruturas estatais a Polícia Militar está lá, fazendo parto, atendimentos sociais...”

"Em que pese os defeitos – prossegue a coronel -, a Polícia Militar é uma instituição necessária, vital para a sociedade. Eu tenho 28 anos de polícia e não consigo contar e relatar os casos em que eu auxiliei pessoas."

A posse
“Socorrer pessoas, lidar diretamente com perdas, conviver com a morte, reduzir sofrimento, trazer à luz uma criança, deter quem ameaça inocentes, quem corrompe a vida, a juventude e compromete o futuro das nossas crianças por meio das drogas. Além de parar aquele que agride a mulher e que discrimina o diferente… nunca perder a humanidade, a delicadeza, a amizade, o sentido de família e solidariedade. Nunca esquecer que a hierarquia das nossas funções nos diferencia e a fragilidade da vida nos iguala” - com essas palavras, a coronel Helena dos Santos Reis tomou posse como secretária da Casa Militar, em 19 de janeiro de 2017.

Para o governador Geraldo Alckmin, Helena Reis representa a ascensão da mulher na Polícia Militar. O primeiro corpo feminino da América Latina foi criado em 1955, no Estado de São Paulo. No começo, a mulher PM realizava trabalhos internos, atendimento a mulheres, menores, idosos e pessoas com deficiência. Agora, mais de 50 anos depois, participa do policiamento e representa 12% da tropa.

Fontes: G1, PMSP


segunda-feira, 6 de março de 2017

Sharylaine, pioneira do rap feminino em Sampa

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Sharylaine Sil é a pioneira do rap feminino em Sampa, a capital paulista, sétima cidade mais populosa do mundo. Foi ela quem montou o primeiro grupo formado só por mulheres, em 1986, o “Rap Girl’s” e participou da “Coletânea Consciência Black Vol.1”.

O hip hop da Zona Leste, onde nasceu, conta há mais de três décadas com as suas rimas.  Ela criou e consolidou o Fórum Nacional de Mulheres do Hip Hop e vem construindo e consolidando a atuação da mulher nesse gênero musical predominantemente masculino.

Música de macho
O hip hop emergiu na década de 1970 nos subúrbios de Nova Iorque e chegou fortemente ao Brasil no final da década de 1980, tendo como grandes representantes os Racionais MC’s, Sabotage, Rappin Hood e Planet Hemp. 

O berço cultural do hip hop brasileiro foi o sudeste, mais precisamente a cidade de São Paulo. Desde seu auge, sempre em um contexto muito masculino, com letras que trazem à tona a realidade do sistema, refletida na periferia e, em alguns casos específicos, e refletem ódio, aversão às mulheres.

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O hip hop chegou como música de resistência, inclusive ao feminino. E Sharylaine, para ir à luta e se diferenciar dos manos, elegeu um figurino todo cor-de-rosa, um basta às avessas para a ideia de que a mulher não pode tudo: “O papel da mulher é aquele que ela quiser. Ninguém diz o papel que o homem deve desempenhar”.

Rosa choque
Como rapper, cantora, compositora, arte-educadora, produtora cultural, ativista cultural, social e política – assim ela se define -, Sharylaine é referência na luta contra o machismo e o racismo, realidades que se apresentam como os principais desafios das mulheres negras que fazem arte na periferia da cidade. 

Suas composições abordam, ainda, o feminismo e a valorização da identidade de quem vive longe dos centros urbanos, nas bordas da capital.

A invisibilidade é a principal barreira no processo de divulgação do que não é produzido nos grandes centros. Desafio aumentado sobretudo na cena hip hop e com protagonismo de mulheres negras: “Temos que ser magras, loiras, de cabelo liso. Temos a publicidade trabalhando contra nossa identidade”.

Registros
Sharylaine nasceu Ildslaine Mônica da Silva,na capital paulista, no dia 10 de abril de 1969, e a trilha sonora de sua vida inclui, também, blues, jazz e samba.

Em comemoração aos 30 anos da cultura hip hop, no ano de 2015, a rapper lançou o videoclipe “Missão”, um aperitivo do disco “Sou Soul” da cantora. A ideia da música está no título: trazer o despertar da missão de cada um na vida, reforçando a ideia de que ninguém está sozinho e que todos temos muito a compartilhar. 

Nas últimas eleições, a rapper foi candidata à vereadora de São Paulo pelo PC do B – Partido Comunista do Brasil.

Confira os sons de Sharylaine, incluindo “Amigas de Verdade” com as “Rap Girl’s”, de 1986, em: http://www.noticiario-periferico.com/2013/06/a-pioneira-do-rap-feminino-no-brasil.html?m=0#.WL2wbPkrLDc

Fontes:
http://periferiaemmovimento.com.br/mulher-negra-periferica-resiste-pela-cultura/