terça-feira, 16 de agosto de 2016

Robson Conceição, ouro inédito do boxe brasileiro

Resultado de imagem para robson conceiçãoRobson Donato Conceição chegou aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro para escrever uma nova história sobre sua carreira. Depois de ser eliminado duas vezes consecutivas em estreias – Pequim 2008 e Londres 2012 -, sua meta era conquistar uma medalha. Ouro, prata, bronze? Não importava. No final, ele conseguiu a mais brilhante.

Recebido com gritos de "o campeão chegou" pela torcida no Pavilhão 6 no Riocentro, o pugilista venceu o francês Sofine Oumiha na terça-feira, 16 de agosto de 2016, na final da categoria pesos-leves (até 60kg) e tornou-se o primeiro brasileiro campeão olímpico no boxe.

Os dois começaram o primeiro round com uma luta franca. Robson dominou o centro e foi bastante agressivo. No segundo assalto, o francês demonstrou boa velocidade, mas Robson impôs seu jogo, investindo em golpes mais potentes. No último round, administrou a vitória já garantida por pontos.

Os confrontos
Foram três lutas até Robson Conceição chegar à final da competição. Na estreia, enfrentou Anvar Yunusov, do Tadjiquistão, e o venceu por nocaute técnico. Na sequência, nas quartas-de-final, superou Hurshid Tojibaev, do Uzbequistão, com vitória por decisão unânime dos jurados (30-27/30-27/29-28), avançando para a semifinal com o terceiro lugar garantido – no boxe não existe disputa pelos terceiro e quarto lugares, o terceiro lugar é compartilhado.

Mas Robson Conceição acalentava sonhos mais ambiciosos, além de uma medalha de bronze olímpica: ele, quinto colocado no ranking da Associação Internacional de Boxe Amador, queria enfrentar o líder e tricampeão mundial na divisão, Jorge Lázaro Alves, de Cuba.

No confronto, Robson ganhou de Lázaro no último assalto, depois de dois rounds equilibrados – com vitória do cubano no primeiro e do brasileiro no segundo. Mesmo com o supercílio aberto e tendo que parar duas vezes durante o combate para estancar o sangramento,  Robson cresceu no minuto final do terceiro round e encaixou uma sequência de golpes que lhe garantiu a vitória: “Senti que eu podia fazer mais, muito mais e ir para cima. E essa foi a grande virada da luta”.

Garantida sua participação na final, o pugilista escolheu “manter o pé no chão, a humildade, o foco, descansar e se concentrar para a próxima luta”, o que deu muito certo: com seus 27 anos, venceu o jovem francês de 21 anos, estreante em Olimpíadas, por decisão unânime dos jurados (30-27, 29-28 e 29-28).

Preparação para a vitória
Na noite anterior às suas lutas, Robson Conceição, costuma ficar sozinho,  mentalizando os golpes que irá desferir. Tudo para manter o foco.

Outro hábito é ouvir música evangélica nos dias que precedem o combate e minutos antes de subir no ringue. Ele não é evangélico, acredita em Deus, no poder motivador do gospel para lhe dar inspiração e em São Lázaro.

Robson descobriu também na judoca Rafaela Silva, medalha de ouro na categoria leve nas Olimpíadas do Rio, sua principal inspiração. “Ela também veio de baixo, da favela, como eu, e nada melhor que tê-la como referência e seguir seu exemplo” – o pugilista foi criado em São Caetano, bairro pobre de Salvador (BA).

História
Robson Donato Conceição nasceu em 25 de outubro de 1988, é sargento na Marinha e, desde os 14 anos, viaja para disputar campeonatos de boxe, enfrentando dificuldades e barreiras que não gosta de lembrar.

Resultado de imagem para robson conceiçãoCriado por sua mãe, Robson vibrou com a presença da família no Pavilhão 6 - incluindo esposa e a pequena Sofia, sua filha de dois anos -  e dedicou a elas o ouro olímpico.

E, assim, o garoto, que chegou ao boxe pensando em ganhar brigas de rua no carnaval de Salvador, evoluiu e, hoje, se destaca no hall de pugilistas nacionais e se prepara para tornar-se pugilista profissional.

Fontes: Uol, ESPN, Wikipedia, Folha de S. Paulo, http://www.mg.superesportes.com.br


Isaquias Queiroz: primeira medalha Olímpica da canoagem brasileira

Resultado de imagem para isaquias queiroz rio 2016O baiano Isaquias Queiroz, de 22 anos, deu à canoagem brasileira na terça-feira, 16 de agosto de 2016, a primeira medalha em Jogos Olímpicos, ao cruzar a linha de chegada em 3min58s529, na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.

O brasileiro disputou a liderança da prova durante todo o percurso, mas o alemão Sebastian Brendel abriu distância nos metros finais e ficou com ouro, com o tempo de 3min56s926.

"O alemão é um cara muito bom, todos os jornalistas e o pessoal do Brasil sabiam disso. Ele não é imbatível, nenhum atleta é imbatível. Mas ele teve mérito, ganhou pela dedicação. Na próxima, eu vou treinar muito mais, estarei muito melhor em Tóquio", afirmou Isaquias ao término da competição.

“Do começo ao fim, foi a melhor corrida da minha vida. O brasileiro foi muito duro, foi intensa a competição", devolveu o bicampeão olímpico.

" Eu sou novo ainda, tenho 22 anos. É minha primeira Olimpíada e estou muito feliz com o resultado. Estou satisfeito pela prata, que tem um gosto de ouro porque eu estou em casa e treinei com afinco para conquistá-la", assinalou ainda o pioneiro.

TRAJETÓRIA
Fora da água, a “Lenda da Canoagem” ou “Centauro das Águas” – como escreveu a imprensa -, também traz uma história de vida de superação.

Além da pobreza extrema, Isaquias sobreviveu ao derramamento de uma panela de água escaldante sobre seu corpo, o que o deixou quase um mês internado, e a uma hemorragia interna que, desde os 10 anos, o faz viver com apenas um rim.

O canoísta baiano aprendeu a remar aos 11 anos nas águas do Rio das Contas em Ubaitaba (BA), que em tupi-guarani significa "Cidade das Canoas".  

Descoberto em um projeto social em sua cidade natal, conquistou sua primeira vitória como campeão mundial júnior do C1 200 m.

O pódio olímpico coroa um ciclo excepcional de Isaquias, no qual foi laureado em todos os Campeonatos Mundiais dos quais participou, em 2013, 2014 e 2015, incluindo os dois ouros nos Jogos Pan-Americanos de Toronto.

Aprendendo com os erros
No Mundial de Canoagem de Moscou, em 2014, ele liderou boa parte da prova do C1 1.000 mas a 50 metros da linha de chegada perdeu o equilíbrio e deixou a canoa virar perdendo o ouro para o mesmo Sebastian Brendel. Ano passado, no Mundial na Itália, errou feio na saída, mas conquistou o bronze.

Resultado de imagem para isaquias queiroz rio 2016Mais experiente, dessa vez Isaquias garante estar pronto para chegar ao topo do esporte e parar de nadar contra a corrente da vida: “O pessoal achava que eu não ia muito longe pelo fato de só ter um rim, mas mostrei que não tenho problema nenhum e sou campeão mundial. Vai muito da vontade do atleta querer e sempre tive essa vontade. Quero sair daqui com três medalhas no peito”.

E esta é uma possibilidade real: Isaquias, nestas Olimpíadas, vai disputar ainda duas modalidades na canoagem de velocidade: a canoa individual de 200m e a canoa dupla de 1.000m. De qualquer modo, ele já integra a galeria de pioneiros negros com a conquista da prata para o Brasil na canoagem de velocidade na categoria canoa individual 1.000m, a mais longa disputa individual que consta do programa olímpico.


Fontes: Globo Esporte e jornais Folha de S. Paulo, O Globo e O Dia

domingo, 14 de agosto de 2016

Simone Manuel, nadadora pioneira

Resultado de imagem para simone manuelSimone Manuel fez história na piscina do Estádio Aquático Olímpico do Rio de Janeiro, na quinta-feira, 11 de agosto de 2016. Ao vencer a final dos 100m livre, empatada com Penny Oleksiak, a norte-americana tornou-se a primeira nadadora negra a conquistar uma medalha de ouro olímpica em prova individual.

Ao conquistar o ouro nos 100m livre, a nadadora de 20 anos Simone Manuel, também quebrou o recorde olímpico da prova: 52s70. 

Sorridente com o seu ouro e a segunda medalha olímpica no Rio – ela foi prata no revezamento 4x100m livre -, Simone espera que a sua conquista inspire outras meninas negras no esporte:

“Essa medalha de ouro não é só minha, mas de todos os afrodescendentes que vieram antes de mim e me inspiraram. Espero ser inspiração para outros. Essa medalha é para as pessoas que virão depois de mim. Que entrem nessa guerra e tenham entusiasmo”.

Para Simone, a sua vitória é importante também por conta do recrudescimento dos problemas raciais, com casos de assassinatos de negros por policiais, nos Estados Unidos:  

“Acho que significa muita coisa uma medalha assim acontecer no mundo de hoje, com tantos problemas de brutalidade policial. Essa vitória traz esperança de mudanças. Eu só fui lá e nadei o mais rápido que pude, mas minha cor vem com todo meu repertório para isso.”

Simone Manuel se classificou para a decisão com o terceiro melhor tempo: “Não houve um momento em que percebi que ia ganhar. Não lembro muita coisa dos últimos 15 metros. Coloquei a cabeça mais para baixo do que deveria, e quando olhei para cima vi uns pontos de luz e o meu nome no topo”.

Simone Manuel fez história na piscina do Estádio Aquático Olímpico do Rio de Janeiro, na quinta-feira, 11 de agosto de 2016. Ao vencer a final dos 100m livre, empatada com Penny Oleksiak, a norte-americana tornou-se a primeira nadadora negra a conquistar uma medalha de ouro olímpica em prova individual.

Ao conquistar o ouro nos 100m livre, a nadadora de 20 anos Simone Manuel, também quebrou o recorde olímpico da prova: 52s70.
Sorridente com o seu ouro e a segunda medalha olímpica no Rio – ela foi prata no revezamento 4x100m livre -, Simone espera que a sua conquista inspire outras meninas negras no esporte:

“Essa medalha de ouro não é só minha, mas de todos os afrodescendentes que vieram antes de mim e me inspiraram. Espero ser inspiração para outros. Essa medalha é para as pessoas que virão depois de mim. Que entrem nessa guerra e tenham entusiasmo”.

Para Simone, a sua vitória é importante também por conta do recrudescimento dos problemas raciais, com casos de assassinatos de negros por policiais, nos Estados Unidos:  

Resultado de imagem para simone manuel“Acho que significa muita coisa uma medalha assim acontecer no mundo de hoje, com tantos problemas de brutalidade policial. Essa vitória traz esperança de mudanças. Eu só fui lá e nadei o mais rápido que pude, mas minha cor vem com todo meu repertório para isso.”

Simone Manuel se classificou para a decisão com o terceiro melhor tempo: “Não houve um momento em que percebi que ia ganhar. Não lembro muita coisa dos últimos 15 metros. Coloquei a cabeça mais para baixo do que deveria, e quando olhei para cima vi uns pontos de luz e o meu nome no topo”.

Simone Ashley Manuel nasceu em 2 de agosto de 1996, em Houston, Texas. É a terceira
filha de Mark e Sharron. Começou a nadar aos cinco anos de idade e, aos 11 anos, já fazia
parte de uma equipe de natação. Em 2014, com 18 anos, foi para a Universidade de 
Stanford onde estuda Comunicação e integra o time de natação feminina. 
  
Fonte: UOL, O Globo, http://www.earnthenecklace.com/simone-manuel-biography-age-height-parents-college-olympics-gold-medal